Arquivo de Dezembro, 2006

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Desafio de Natal da Jacky

Dezembro 24, 2006

Disse a Jacky:

Pas de cadeaux cette année, le Père-Noël est parti en voyage de noces ! Mais avec qui s’est-il marié ? A vous de nous transformer cette belle histoire d’amour en un joli conte de Noël… Este é o desafio do site Psychologies desta semana
Este ano, não vai haver distribuição de prendas porque o Pai Natal se casou e está em lua de mel. Casou com quem? Quem se atreve a transformar esta história de amor num conto de Natal? Eu vou tentar, mas só publicarei dia 24.

Contei eu:

Brasil, 23 de Dezembro 2006

 

Alice, mãe dos meus filhos e minha companheira durante 25 anos: 

Como estás? E os miúdos? Calculo q andes à minha procura e possas até estar preocupada. Será q estás? Ou esta minha ausência repentina, fez-te bem, libertou-te e esperavas ansiosamente por momentos como este? Porque já n sei o q pensas, sabes? Há muito tempo q deixei de saber o q pensavas, o q querias, o q desejavas, se me desejavas.Quando nos conhecemos o envolvimento um com o outro foi imediato, achei-te linda, eras muito morena, com o teu cabelo comprido cheio de ondulações, tinhas um sorriso contagiante, tinhas um corpo bonito, atraías-me, lembras-te como fizemos amor no nosso terceiro encontro?Depois namoramos, anos e anos, tornamo-nos inseparáveis, cumplices em tudo, conhecíamos os pedaços mais pequeninos um do outro: como terminava a orelha, o sinal à saída da axila, o comprimento das pestanas, a força do abraço, a intensidade dos beijos,….E finalmente casamos, eu estava tão apaixonado! Só tinha olhos para ti! mas,…, tu, apesar de deslumbrante, e nunca te disse isto Alice, achei q estavas ausente, q estavas triste por eu te ter roubado da tua juventude de solteira. Mas eu queria-te tanto, Alice!Escrevo-te porque, n sei como te diga o q se passou comigo de outra maneira….Na verdade, nós já não sabemos falar, nós q perdemos manhãs, tardes, dias a conversar, a contar (e já passou tanto tempo….), Nós perdemos a faculdade de FALAR (falar um com o outro). Lentamente deixamos de ser marido-mulher-amantes, para sermos homem-mulher-silêncio-indiferença-rotina. Como mudámos, Alice!?  

Olha Alice, cansei-me de estar só, cansei-me da vida contigo. Estava a morrer.

Olhei para mim ao espelho e vi-me um homem velho, nos meus 42 anos, com uma barba branca descuidada e comprida demais, papos nos olhos, uns óculos ridículos (q tu disseste q me ficavam bem!), uma barriga proeminente, grávida de 6 meses de fastio e solidão, um emprego de merda com um ordenado semelhante, aonde me senti sempre um palhaço, sempre a poupar e a contar os tostões. Sem um luxo, sem uma ambição, metido numa fila com outros tantos iguais a mim, à espera da doença e da morte.

 

Sabes Alice, conheci uma mulher. Tem um aspecto rude, a pele mal tratada, tem poucos estudos, fala alto e dá umas gargalhadas barulhentas. Imagina, é brasileira! Cheira a samba, a rua, a praia, a liberdade e a suor….Foi ela q me escolheu, q olhou para mim, q me pôs uma mão no ombro e me disse: “Sê percisa di carinho…vê-se no seu olhar!”. E precisava tanto, tanto. Ela gosta de mim, Alice! E eu estou a aprender a gostar dela. Ela n me exige q a ame, mas eu quero amá-la. Entreguei-me nas mãos dela, mas hoje já sou eu q a entrelaço com as minhas pernas. E sinto-me VIVO! Sinto-me um Homem! Sinto-me AMADO! E agora, só isso me importa!

 

Não tenho emprego fixo, vivemos num quarto pertinho da terra da Luana, cortei a barba, deixei crescer o cabelo e ato-o com um pequeno cordel, ando vestido com umas calças coçadas e uma camisa de quadrados descuidada, uso havaianas nos pés. Vou casar amanhã à noite, com a minha nova mulher! É um casamento especial, com validade nos nossos corações.

 

Olha Alice, tenta refazer a tua vida. Procura um homem q te faça feliz, q te faça mulher, pq eu acho q tu precisas de te relembrar.

Não tenhas medo, de pôr a mão num ombro de um homem, com um olhar infeliz,…., e nunca penses q só tu estás a dar.

Com quanto mais vontade deres, mais estarás a receber!

 

Bom Natal.

Cuida das crianças (eu sei q isso, farás sempre bem).

 

 

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VAZIOS….

Dezembro 10, 2006

Caiu Nela, …. , Nã, isto é uma expressão…. 

Deu conta dela verdadeiramente,….deu conta como estava!  Deu conta, das águas revoltosas, mas radicais, excitantes por onde tem andado,…., mas inexplicávelmente, sempre compostinha! Que quer isto dizer? Quer dizer que, mesmo pisando um Mundo Novo, fica compostinha, educadinha, com os valorzinhos todos no sítio, cabecinha assente, juízinho, como lhe diria a Mãe…. 

Quais conversas entusiasmadas com as amigas? Qual indício de apaixonamento? Qual vislumbre de loucuras a cometer? Qual tentativa de traição? Qual arremeço de coragem? Qual pôr em prática, tanto pensamento, tanto desejo? NADA! Nada, porque a menina continua agarrada à sua vidinha, que cada vez se torna mais desgastante, degradada, só, saturante, trabalhosa, só, responsável pela casa, pelos filhos, só, pelo carro, pela roupa, só, por pagar as contas, por abastecer a casa, só, por manter os filhos limpos, por educar os filhos, SÓ. 

Ela ficou realmente só, sem ajuda, aliás, ninguém sabe que ela está só, ela não disse NADA. ELA NUNCA DISSE NADA A NINGUÉM,…., nem agora Mulher? Que andas a visitar novos Mundos? Nem agora, te atreves a responder diferente, quando te perguntam:-“Como estás?”, e invarialmente respondes:-“Está tudo bem! Porque não haveria de estar?”. E continua a cair uma lágrima, não é? Uma lágrima, por um “Tudo bem”.  

Ela deu conta, que continua com o pé preso na armadilha, e olha para a frente e nada vê. Olha para a direita, com alguma esperança, e está tudo escuro, nada vê.E para a esquerda? Alguma luz? Nada, um vazio, uma câmara sem som.Para trás NÃO! NÃO! NÃO! Diz ela a gritar, quase histérica, e o pé preso, começa a ficar magoado, ferido. 

No entanto vai mantendo o rosto bonito, ainda jovem, as marcas quase não se notam,…., há mesmo quem lhe diga:-“Ouve, miúda! Estás com bom aspecto!”. E ela, risse de uma forma educada, sem exageros e com isso consegue apagar facilmente algum brilhozinho que teve.