Disse a Jacky:
Pas de cadeaux cette année, le Père-Noël est parti en voyage de noces ! Mais avec qui s’est-il marié ? A vous de nous transformer cette belle histoire d’amour en un joli conte de Noël… Este é o desafio do site Psychologies desta semana
Este ano, não vai haver distribuição de prendas porque o Pai Natal se casou e está em lua de mel. Casou com quem? Quem se atreve a transformar esta história de amor num conto de Natal? Eu vou tentar, mas só publicarei dia 24.
Contei eu:
Brasil, 23 de Dezembro 2006
Alice, mãe dos meus filhos e minha companheira durante 25 anos:
Como estás? E os miúdos? Calculo q andes à minha procura e possas até estar preocupada. Será q estás? Ou esta minha ausência repentina, fez-te bem, libertou-te e esperavas ansiosamente por momentos como este? Porque já n sei o q pensas, sabes? Há muito tempo q deixei de saber o q pensavas, o q querias, o q desejavas, se me desejavas.Quando nos conhecemos o envolvimento um com o outro foi imediato, achei-te linda, eras muito morena, com o teu cabelo comprido cheio de ondulações, tinhas um sorriso contagiante, tinhas um corpo bonito, atraías-me, lembras-te como fizemos amor no nosso terceiro encontro?Depois namoramos, anos e anos, tornamo-nos inseparáveis, cumplices em tudo, conhecíamos os pedaços mais pequeninos um do outro: como terminava a orelha, o sinal à saída da axila, o comprimento das pestanas, a força do abraço, a intensidade dos beijos,….E finalmente casamos, eu estava tão apaixonado! Só tinha olhos para ti! mas,…, tu, apesar de deslumbrante, e nunca te disse isto Alice, achei q estavas ausente, q estavas triste por eu te ter roubado da tua juventude de solteira. Mas eu queria-te tanto, Alice!Escrevo-te porque, n sei como te diga o q se passou comigo de outra maneira….Na verdade, nós já não sabemos falar, nós q perdemos manhãs, tardes, dias a conversar, a contar (e já passou tanto tempo….), Nós perdemos a faculdade de FALAR (falar um com o outro). Lentamente deixamos de ser marido-mulher-amantes, para sermos homem-mulher-silêncio-indiferença-rotina. Como mudámos, Alice!?
Olha Alice, cansei-me de estar só, cansei-me da vida contigo. Estava a morrer.
Olhei para mim ao espelho e vi-me um homem velho, nos meus 42 anos, com uma barba branca descuidada e comprida demais, papos nos olhos, uns óculos ridículos (q tu disseste q me ficavam bem!), uma barriga proeminente, grávida de 6 meses de fastio e solidão, um emprego de merda com um ordenado semelhante, aonde me senti sempre um palhaço, sempre a poupar e a contar os tostões. Sem um luxo, sem uma ambição, metido numa fila com outros tantos iguais a mim, à espera da doença e da morte.
Sabes Alice, conheci uma mulher. Tem um aspecto rude, a pele mal tratada, tem poucos estudos, fala alto e dá umas gargalhadas barulhentas. Imagina, é brasileira! Cheira a samba, a rua, a praia, a liberdade e a suor….Foi ela q me escolheu, q olhou para mim, q me pôs uma mão no ombro e me disse: “Sê percisa di carinho…vê-se no seu olhar!”. E precisava tanto, tanto. Ela gosta de mim, Alice! E eu estou a aprender a gostar dela. Ela n me exige q a ame, mas eu quero amá-la. Entreguei-me nas mãos dela, mas hoje já sou eu q a entrelaço com as minhas pernas. E sinto-me VIVO! Sinto-me um Homem! Sinto-me AMADO! E agora, só isso me importa!
Não tenho emprego fixo, vivemos num quarto pertinho da terra da Luana, cortei a barba, deixei crescer o cabelo e ato-o com um pequeno cordel, ando vestido com umas calças coçadas e uma camisa de quadrados descuidada, uso havaianas nos pés. Vou casar amanhã à noite, com a minha nova mulher! É um casamento especial, com validade nos nossos corações.
Olha Alice, tenta refazer a tua vida. Procura um homem q te faça feliz, q te faça mulher, pq eu acho q tu precisas de te relembrar.
Não tenhas medo, de pôr a mão num ombro de um homem, com um olhar infeliz,…., e nunca penses q só tu estás a dar.
Com quanto mais vontade deres, mais estarás a receber!
Bom Natal.
Cuida das crianças (eu sei q isso, farás sempre bem).

